A oncologia política da CIA

“A política, como a conhecemos, não requer capacidade, honestidade, talento ou boas intenções; requer capacidade de ser canalha ao impensável, de trair sem culpa, de não ter piedade ou comedimento algum na busca por atingir o oponente. Para vencer o adversário, vale tudo. Principalmente cinismo, muito cinismo.” – Observações do blogueiro paulista Eduardo Guimaraes no artigo “Lula e os porões da política”, sobre como funciona a política no mundo capitalista, publicado em 30/10/2011 no Blog da Cidadania.

Lula, José Alencar e Dilma: estranha coincidência

Os Estados Unidos estão utilizando uma nova arma contra líderes políticos mundiais que fazem oposição ao imperialismo de Washington, do FMI, Banco Mundial e Organização Internacional do Comércio. Trata-se da contaminação por câncer de vários presidentes e ex-presidentes latino-americanos. Para os ianques a canalhice, a traição, o cinismo e o vale-tudo não bastam em política: eles gostam mesmo é de realizar seus death wish (desejo de assassinar alguém), não importam os meios.

A acusação foi feita pelo presidente venezuelano Hugo Chavez no final do ano passado e noticiada pelo site russo Pravda.ru no início de janeiro. Atualmente se recuperando de mais uma cirurgia na pelvis feita na última semana em Cuba, Chavez luta contra um câncer que ele suspeita tenha sido causado por contaminação levada a cabo pela Gestapo norte-americana, a temível CIA, através de um programa secreto de infecção cancerígena dos opositores das políticas ianque.

O artigo do Pravda relaciona o presidente do Paraguai, Fernando Lugo, diagnosticado com cancer do sistema linfático (chamado de linfoma) em 2010, e que se encontra ainda em tratamento – por acaso realizado no Brasil. Cita também a presidenta da Argentina, Cristina Kirchner, outra vítima dessa conspiração. Diagnosticada com câncer de tireoide no final de 2011 e logo depois descartado como falso positivo, a doença não se confirmou na biópsia pós-cirúrgica. Entretanto, ficou o susto e a suspeita pois Cristina Kirchner se alinha com os líderes políticos latinos que não endossam e nem apóiam as políticas expansionistas dos EUA.

Fidel, Dilma, Fidel e Hugo, Lugo e Lula

Os Grilos Falantes da Democracia compilou, em ordem cronológica, uma lista dos políticos de esquerda que são vítimas dessa estranha coincidência de diagnóstico:

Fidel Castro – diagnosticado em agosto de 2006 com câncer no aparelho digestivo. A doença obrigou o veterano político a renunciar à presidência de Cuba e a se submeter a tratamento que prossegue até hoje. E para desespero dos americanos e demais guzanos (vermes) de Miami, o velhinho revolucionário que deverá completar 86 anos em 13 de agosto, continua lúcido, crítico do imperialismo e dando conselhos aos demais líderes latinos. E, aceitando bem o tratamento anti-cancer, ele segue vivendo;

Dilma V. Rousseff – diagnosticada em abril de 2009 com linfoma não-Hodgkin (a forma mais branda de linfoma e mais rapidamente curável quando detectado precocemente). A então pré-candidata do PT à presidência do Brasil foi, por isso, alvo de comemorações por parte da oposição de direita reunida em torno do PSDB-DEMO e do PiG, que viu na doença uma forma de derrotá-la longe dos eleitores. Ela foi incessantemente fustigada pela imprensa golpista que usou de táticas e meios de guerra psicológica e propaganda de guerra para desmoralizar Dilma e inviabilizar sua recuperação – tudo isso sem sucesso;

Fernando Lugo – presidente do Paraguai, diagnosticado em agosto de 2010 com linfoma, prossegue com seu tratamento de quimioterapia em vindas periódicas a São Paulo;

Hugo Chavez – diagnosticado em junho de 2011, o presidente venezuelano foi a maior vítima da conspiração da CIA e o primeiro a iniciar o debate sobre as origens de tão sinistra coincidência. Alvo declarado dos Estado Unidos que não esconde o desejo de eliminá-lo fisicamente, Chavez é o indivíduo que mais ataques recebe da imprensa norte-americana e venezuelana de direita enquanto faz seu tratamento em Cuba. Seus opositores não só na Venezuela como em Washington abertamente celebram as dificuldades que ele encontra na sua recuperação e vociferam que ele já está com os dias contados;

Lula – diagnosticado em outubro de 2011 com câncer na laringe, a doença do ex-presidente foi muito festejada por seus opositores brasileiros nos partidos de direita e na imprensa golpista. Seus articulistas celebraram abertamente a tragédia pessoal de Lula e passaram a desejar, sem meias palavras, pelas redes sociais sua morte prematura. Torcem pelo fracasso do tratamento e lhe atribuem culpa pela doença;

Cristina Kirchner – diagnosticada em novembro de 2011, com câncer de tireoide, a doença não foi confirmada na biópsia realizada após a cirurgia que extraiu a glândula supostamente contaminada, embora os médicos tivessem sido categóricos a partir de diagnóstico feito em biópsia de material colhido da glândula da presidenta.

Pepe Mujica e Daniel Ortega

Há ainda o presidente do Uruguai, Pepe Mujica. Examinado em 2010 – ano de sua posse na presidência –, detectou-se algo sugerindo um tumor na próstata que não se confirmou até hoje. Porém segue a suspeita de que ele teria sido alvo da mesma contaminação que atinge os demais políticos de esquerda.

Há também o caso de Daniel Ortega, líder sandinista, ex e atual presidente da Nicarágua, que foi tema de especulação sobre a saúde de sua próstata em 2008, ano seguinte à sua posse do atual mandato presidencial que exerce.

Cobaia da CIA?

E não esqueçamos que nos dois mandatos de Lula, tivemos seu vice-presidente, José Alencar, morto em 29 de março de 2011, vítima de câncer no aparelho digestivo e contra o qual lutava há 13 anos. Mas aí não cabe mais suspeitas de evenenamento pelos americanos – diria o desavisado observador. Entretanto, não esqueçamos que os gringos não desistem facilmente de suas experiências macabras de assassinatos hi-tec e neo-venenos.

Daí, talvez estivessem apenas usando o histórico oncológico de José Alencar para testar variantes da toxina cancerígena em quem, como ele, já tinha registrado em seu prontuário médico a ocorrência da doença, embora controlada. Talvez o tivessem contaminado nos últimos anos para estudarem a velocidade de progressão da doença frente aos vários tratamentos experimentais que ele mesmo se submeteu em Houston, no Texas – estado do ex-presidente Bush, pai e filho. Talvez, os tais “tratamentos experimentais” fizessem parte do desenvolvimento do veneno cancerígeno… Teria sido ele uma cobaia da CIA?

Outros alvos

Assim, todos esses indivíduos, unidos pela ideologia de independência e não-alinhamento automático aos interesses imperiais dos EUA e – agravante sério – executando políticas de combate à pobreza extrema, estão pouco a pouco sendo infectados. O presidente Hugo Chavez acredita que isso seja causado por uma nova arma desenvolvida para a CIA eliminar aqueles que não concordam com a vontade de Washington de dominação militar global e rapinagem de recursos naturais de outras nações.

Correa e Humalla

Mas há outros líderes latino-americanos na mira de Washington como o presidente do Equador, Rafael Correa, e o do Perú, Ollanta Humala, que podem ser os próximos clientes da quimioterapia. Outro candidato possível é o mexicano Andrés Manuel López Obrador. Ele foi o vencedor das eleições de 2007 em seu país mas, graças às extensas fraudes em favor de Felipe Calderón, candidato governista declarado “vencedor”, Lopez não pôde tomar posse. E mais uma vez ele é candidato oposicionista nas eleições presidencias do México deste ano, devendo sofrer tentativas de contaminação cancerígena por parte da CIA, cumprindo o mesmo destino dos demais companheiros politicos latino-americanos aqui citados.

O artigo do Pravda menciona também a mãe de todas as Gestapos: o serviço secreto israelense, o aterrorizante Mossad. Obcecado em supremacismo militarista, expansionismo e anexação de territórios palestino, libanês e sírio, Israel é um país nazi-facista que declaradamente usa esses meios de contaminação com venenos especiais e ultra-secretos para eliminar militantes islâmicos e perpetuar a guerra e a ocupação da Palestina.

Esse foi o método escolhido pelo Mossad para assassinar o líder palestino Yasser Arafat em 2004. Os resultados da contaminação dos israelenses foram leucemia, AIDS e uma infecção no sangue que causou hemorragia cerebral, levando Arafat à morte em menos de um mês após o surgimento dos sintomas. Entretanto, antes disso, Khaled Mashal, lider do grupo de resistência palestina Hamas que vive no exílio em Damasco, foi vítima de um atentado por contaminação efetuado por agentes do Mossad, mas que foram capturados.

O veneno utilizado pelos ashkenazi israelenses contra o palestino foi uma toxina, de fórmula secreta, que ataca os nervos. A solução que sírios e palestinos encontraram para salvar Khaled foi contaminar os agentes israelenses com o mesmo veneno e exigir que Israel enviasse o antídoto usado para salvar o palestino, frustrando a operação de assassinato extra-judicial.

Dados biométricos

Assim, fica claro que as suspeitas sobre esse tipo de sujeira assassina que americanos e seus “irmaozinhos” israelenses fazem uso é não só plausível e verossímel como também já foi provado. Inclusive, essa prática já foi documentada nas mais de 800 tentativas de envenenamento que Fidel Castro foi alvo durante os anos 60, 70, 80 e 90 do século passado. Portanto, não acredite no acaso ou “azar” ao descobrir que alguém, entre os líderes políticos internacionais que fazem oposição a Washington, “pegou” câncer.

Outro ponto mencionado pelo Pravda foi o interesse da CIA, em 2008, em solicitar à embaixada americana em Assunção que coletasse todos os dados biométricos, incluindo DNA, de Fernando Lugo e dos outros três candidatos à presidência que concorriam com ele. O desejo da CIA de obter tais informações foi revelado pela Wikileaks, em novembro de 2010, ao expor em seu site o conteúdo dos telegramas secretos do Departamento de Estado dos EUA.

Agora, revelaremos pra todo mundo a raiva que a CIA e a Casa Grande, digo Casa Branca, passou: é que, ao se exporem aos seus eleitores como vítimas de uma doença tão satânica como o câncer, cada um desses políticos que os americanos sonham em eliminar de qualquer jeito, tiveram sua popularidade aumentada de forma exponencial e até obtiveram ganhos eleitorais com esse fato, ou seja, tiro pela culatra.

Para desgosto dos ianques, as populações desses países não são de índole capitalista como a norte-americana e foram extremamente solidárias na doença para com seus líderes a quem elas muito estimam e desejam vida longa. Deram mostras explícitas de consternação e solidariedade nas redes sociais e até no carnaval, quando a história de Lula foi homenageada pela escola de samba Gaviões da Fiel em fevereiro passado em SP.

Fiquemos atentos, pois, ao próximo passo dos terroristas brancos de olhos azuis. E os iranianos que se ciudem pois lá em Teerã a CIA-Mossad mata com veneno plástico, do tipo explosivo magnético – como no atentado de 11 de janeiro em Teerã que assassinou o professor universitário de química e membro do programa nuclear do Irã, Mostafa Ahmadi Roshan, operação admitida extra-ofcialmente por Israel. Em seguida, os ashkenazi armaram uns atentados, grosseiramente falsificados, na Índia, Georgia e Tailândia pra dizer que foi represália dos iranianos que, dessa forma, supostamente estavam dando o trôco na mesma moeda do terrorismo de estado israelense e assim obterem um plausível casus belli contra a nação persa como tanto desejam.

Só que a polícia indiana não engoliu essa armação e Nova Delhi sequer dirigiu qualquer nota a Teerã depois que constatou que o atentado a bomba na capital indiana contra a esposa de um adido israelense era de mentirinha. Outro atentado encenado na Georgia no mesmo dia 13 de fevereiro, não feriu ninguém e mais outro em Bangkok, no dia seguinte, só feriu um dos terroristas ao manusear o artefato que explodiu acidentalmente antes da hora. O que levou os indianos a acreditarem que as bombas eram obra do Mossad que viu na tentativa um esforço de Israel criar uma crise entre Nova Delhi e Teerã – principal fornecedor de petróleo da Índia atualmente – a partir de factóides sinistros com atentados, explosões e mortes.

o desejo de eliminá-lo fisicamente

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Mariza Curtolo Cavalcanti, in memorian * 14/8/1959 + 19/11/2011

Mariza em foto de 2007, postada em sua página no Facebook

Réquiem a uma amiga meiga, honesta e batalhadora

Você veio franzina mas cheia de vida, com os olhos verdes-azuis ou azuis-verde ou mel-verde, o sorriso tímido e os dentes brancos em duas filas perfeitas. A pele branca de italiana e os cabelos louros faziam um conjunto harmônico com seu porte elegante de caucasiana esbelta, charmosa e sexy. Ah!, esqueci o carisma secreto escondido na sua aparente fragilidade.

A timidez em justa dose – a ponto de jamais torná-la anti-social – era seu segredo pra conquistar toda fraternidade do mundo. Seu discreto distanciamento de polêmicas e discussões também todos nós sabíamos. Daí a surpresa daqueles que te conhecem ao saber dessa tragédia que te pegou em meio a uma discussão fatal entre terceiros e seu ex-affair. E você só queria ajudá-lo a superar suas próprias fraquezas, às 8 horas da manhã daquele sábado cinzento de primavera chuvosa em Coqueiral.

Querida Mariza, esse tiro que perfurou seu abdomen também atingiu meu coração e alma. Seu corpo inerte ficou caído sobre o dele, como que a protegê-lo de mais tiros. Quanta injustiça: a ex-namorada que deveria ser alvo de proteção do ex, ela é que o protegeu. E quanta injustiça a matéria de titica que a Tribuna – onde você deu seu suor e inteligência – publicou sobre aquele encontro fatídico: insinuou que o assunto teria a ver com “drogas”. Eu pensei: ah, Mariza maior careta com “drogas”!!?! Além de faturar em cima da vítima de um cruel pistoleiro, aquele jornal de merda ainda vai difamar minha amiga?!?!?

Aqui em Vila Velha, éramos do mesmo bairro, Praia da Costa e passamos juntos no vestibular de Comunicação da Ufes, em 1977. Nos cruzamos nas redações da Gazeta, da Tribuna e nas assessorias municipais de imprensa no pequeno mundinho do jornalismo capixaba de final dos anos 70 e início dos 80. Mariza, a sua presença sempre era motivo de felicidade e prazer. Mas antes disso já te conhecia desde quando você, Clarissa, Angelita e seus irmãos ainda moravam no prédio da Henrique Moscoso onde morava também nosso brother Simão. Grande Simão! Sua mãe me contou o episódio triste que antecedeu a passagem dele.

Querida Mariza, havia muitos anos, acho que mais de 10, que não te via mais. Você se foi sem que eu pudesse matar as saudades de te ver de novo, abraçá-la. Lembro que nos encontramos uma vez e você me contou suas mágoas salariais como repórter da FSP (um dos chefões do PiG). Nessa época, acho que eu retornava de minhas andanças na Europa ou nos Estados Unidos. Ainda não tinha filho. E nem sabia que você era mãe de um menino, agora com 18 anos. É, pelo menos nisso a gente converge: nosso modelo de família é o chinês, um filho só.

Lembro das fotos igênuas que fiz com ajuda de Zelberto, meu irmão. Fotografamos você e a prima de Niterói (que namorava com Mazinho) da Eliane, lá da Praia do Canto, na garagem lá de casa, em 1976. Eram fotos portrait, iluminadas com uma luz tipo flood que gerou um resultado carregado no contraste e sem detalhes. Tenho essas fotos até hoje, inclusive os negativos que eram filmes preto e branco da Ilford ou Agfa, se não me engano. Pra quem queria ser fotógrafo como eu, adorei aquela experiência.

Querida Mariza, depois de tanto tempo vi que você tingiu os cabelos pra matar a loura original que você sempre foi. Loura e inteligente, caso raro mas real que só quem conheceu de perto uma loura como você sabe. É claro que te perdoo pela assessoria aos pulhas do PSDB na PMV, mesmo sendo eu um brizolista-lulista convicto. Aliás minha opção política acho que você não aprovaria mesmo e, óbvio, iria me cumprimentar só de longe quando não pudesse fingir que não me viu.

Ainda assim, querida Mariza, serei sempre seu fraterno amigo e onde você estiver saiba que choramos muito sua partida, sentiremos muito sua falta e levaremos um tempão para retornarmos à normalidade astral.

W. Carneiro Jr.

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Economia Bandida – Os mitos do mercado

As mentiras do deus-mercado

A propósito do movimento anticapitalista e anti-neoliberal Ocupar Wall Street (Occupy Wall St.), que neste momento se torna viral nos Estados Unidos e inspira muitos jovens do país a ocuparem centros financeiros de suas respectivas cidades, Os Grilos Falantes da Democracia oferece à blogosfera progressista o excelente artigo do professor de economia, Paul Cantor, que desvenda os mitos do mercado propagados por Adam Smith, ideólogo doentio do capitalismo e pseudo-filósofo “moral” do dinheiro.

Economia Bandida – Os mitos do mercado
Paul Cantor

Texto original publicado em 13/10/2011 no site Counterpunch.org

“A ganância é uma virtude”, disse Gordon Geko, personagem interpretado pelo ator Michael Douglas no filme de Oliver Stone, Wall Street, premiado [em 1987] com um Oscar por sua performance. “A ganância esclarece, abre caminhos e captura a essência do espírito evolutivo”.

“Não é bem assim!”, diz o grupo heterogêneo de indivíduos que ocupam Wall Street. De fato, se existe uma questão única que todos concordam é que a ganância é a responsável por nosso atoleiro econômico atual. E eles estão certos. A cobiça levou corretores de valores e banqueiros de Wall Street a enganar seus clientes sobre os riscos dos ativos que eles venderam e que, por sua vez, levou ao crash do mercado em 2008 e causou a pior crise econômica desde a Grande Depressão [de 1930].

No entanto, a visão de que a cobiça é boa continua a ser aceita por muitos porque é consistente com a observação de Adam Smith no livro A Riqueza das Nações que, em uma economia de mercado, os indivíduos [capitalistas] são “guiados por uma mão invisível” para promover os interesses da sociedade. O padeiro, por exemplo, não assa o pão para matar a fome alheia. Ele o faz a fim de trocá-lo por dinheiro que precisa para comprar outros bens [para si mesmo]. No entanto, a fome é saciada da mesma forma caso fosse essa sua intenção.

Mas porque o objetivo deles assim como o de Smith é o de defender a causa de menos regulamentação do governo [sobre os capitalistas], o que Gordon Geko e outros milagres dos criadores de mitos do mercado não conseguem apontar é que a mão invisível é também responsável pelo tipo de distorção que levou à Grande Depressão. E para avançar a sua causa, eles repetem um mantra que, juntamente com a mão invisível, inclui o mito da soberania do consumidor, o mito de que a renda de um indivíduo é uma justa medida de sua contribuição para a sociedade, o mito de que a economia de mercado fomenta a democracia, e o mito de que os mercados quando deixados sozinhos sem regulação, nas palavras de um certo livro de economia, levam a uma situação de produção de um “mix específico de bens e serviços mais valorizados pela sociedade”.

Soberania do consumidor é a idéia de que, nas economias de mercado, são os consumidores que determinam o que é produzido. Por isso não devemos culpar os banqueiros e comerciantes de Wall Street por vender-nos uma lista de bens e irem embora com o nosso dinheiro, enquanto nós perdemos nossas casas e nossas economias viram fumaça. Eles estavam apenas nos ofertando os empréstimos e títulos lastreados em hipotecas que solicitamos. Mas é claro que isso não se confirmou como verdade quando eles mentiram sobre os riscos implícitos nos ativos que estavam nos vendendo.

Além disso, o mito de que a renda de um indivíduo é uma medida certa de sua contribuição para a sociedade é desmentido pelo fato de que uma atleta mundial como [a tenista campeã] Serena Williams ganha muitos milhões, enquanto um professor de ciências do ensino médio e de nível internacional ganha uma pequena fração desse montante. E o mito de que os mercados fomentam a democracia é negado pelo fato de que a distribuição desigual de renda e riqueza que resulta quando são deixados sozinhos [sem regulação] para alocar seus recursos [onde melhor lhes aprouver], mina a democracia.

O ideal democrático, afinal, significa uma pessoa = a um voto. Mas no mercado [esse ideal] é um dólar = a um voto. Assim, aqueles que têm mais dinheiro têm a voz mais forte para determinar o que é produzido [pela economia] e maior capacidade para financiar as campanhas dos políticos mais favoráveis e pagar os lobistas [que lhes ajudam a realizar seus pleitos].

E, finalmente, o que dizer sobre o mito de que os mercados levam à produção dos bens mais valorizados pela sociedade? Basta perguntar a si mesmo se as pessoas se importariam em trocar alguns dos automóveis que produzimos por sistema de transporte público melhor.

“Esse garotos simplesmente não entendem como o mundo funciona”, disse o colunista do [conservador] Wall Street Journal, Stephen Moore, no canal Fox News, referindo-se aos manifestantes do movimento Ocupar Wall Street. Mas, na verdade, a questão que o personagem Geko menciona quando faz seu discurso da ganância como virtude, os manifestante entendem melhor do que S. Moore e outros, para quem os mitos do mercado são sagrados. Os economistas chamam essa questão de problema do principal-agente [1].

Pense em nosso país como [uma empresa chamada] EUA S.A. Nós somos os proprietários ou diretores; nossos representantes eleitos são os nossos agentes. Queremos propor um conjunto de normas harmônicas de incentivo [ao emprego] para garantir que nossos agentes trabalhem em favor de nossos interesses e não apenas em favor dos interesses de um pequeno grupo de corretores e banqueiros de Wall Street e seus ricos benfeitores, que têm lucrado enormemente enquanto nós perdemos empregos e casas. Essa é a mensagem pura e simples que os manifestantes do movimento Ocupar Wall Street estão enviando para o resto do mundo.

Paul Cantor é professor de economia no Norwalk Community College, cidade de Norwalk, estado de Connecticut, EUA.

N. do T.: [1] Em teoria econômica e ciência política, a problemática entre principal-agente – também chamada de dilema da agência –, estuda, por exemplo, a relação patrão-empregado ou governante-governado, tratando das dificuldades que surgem dessa relação pelas condições de informação assimétrica e incompleta, causando problemas de risco moral e conflito de interesses em potencial; o principal sendo representado aí pelo governo ou dono da empresa, e o agente pelo governado ou funcionário da empresa. Mais detalhes aqui na Wikipedia.

Traduzido por W. Carneiro Jr. Texto original aqui

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Crônica da pedagogia capitalista

Quarta-feira 22/06/2011, 18h36, véspera do feriado de Corpus Cristi, após um dia de trabalho. Em casa, sentado na poltrona da sala com meu filho de 10 anos, assistíamos ao programa Zapping Zone da Disney Channel, vendido no pacote da Sky, do israelense Ruppert Murdoch.

O programa me chama a atenção pela ausência total de atitudes e diálogos inteligentes e arte criativa na TV. Apertando a tecla ? do controle remoto do receptor da Sky, aparece a seguinte resenha bem resumida sobre o tal Zapping Zone: “Um programa diferente, interativo e dinâmico, produzido no Brasil e apresentado por jovens”. Entre uma baboseira e outra que os guris-apresentadores gritavam no vídeo, passava muita propaganda e uma chanchada barata e dublada de produção humorística norte-americana, especificamente para a faixa dos 10 a 20 anos.

Ao telefone, um dos apresentadores adolescente do programa pergunta pra Isabela, 14 anos, telespectadora e participante de uma espécie de gincana de perguntas e respostas que dão brindes:

– Qual a capital do Ceará, Isabela?
– Alagoas!
– Naaaããooo! É Fortaleza a capital do Ceará! O personagem “Scar” aparece em que desenho: “Simbad, o marujo”, “Rei Leão” ou “Carros”?
– “Rei Leão”!
– Resposta certa! Isabela vai levar o moleton e o DVD do filme [da Disney] “Perdido pra cachorro II”.

Conclusão: nossa garotada conhece detalhes dos filmes dos estúdios Disney mas não conhece o mínimo da Geografia Brasileira. É muito triste a gente ver isso acontecer com a nossa juventude, se tornar vítima de um império capitalista especializado em imbecilizar nossas crianças como esse da Disney que lava seus cérebros e os programa para aceitarem passivamente as injustiças da sociedade de consumo.

Fundado em Los Angeles em 1923 pelo ilustrador, empresário e reputado pedófilo Walt Disney, os estúdios de animação logo cresceram e se tornaram uma grande produtora que é hoje o maior conglomerado de comunicação do mundo. O estrago que esse tipo de negócio fez e faz em nossa comunidade e País a gente vê nesses pequenos e significativo detalhes exibidos em programas de TV desse nível.

Os efeitos nocivos às famílias e aos jovens causados por empresas como essa se escondem nos benefícios pálidos e limitados apregoado no discurso do “entretenimento”. Como se atividades fúteis de pseudo-diversão devesse ter precedência e dominação sobre outras atividades e finalidades de uma TV de responsabilidade como a educação e a informação de cunho pedagógico. Essas deveriam dar conteúdo e forma aos programas infanto-juvenis de TV de qualidade. E eles precisariam também ter o mesmo destaque que os programas de besteirol tem na grade de programação das emissoras no Brasil.

A juventude adolescente é o alvo primário dessa patifaria: os meninos ficam feras em detalhes insignifcantes de produtos mercantís da indústria cultural capitalista, e, ao mesmo tempo, se tornam analfabetos em sua própria Geografia, em seu próprio meio. O desconhecimento da realidade geográfica – incluindo a realidade social e a topográfica onde nós vivemos –, pode até causar nossa morte. Portanto, não é exagero afirmar que programas como Zapping Zone pode até matar, ou, no mínimo, não nos ajudar a evitar nossa morte prematura.

E, tampouco, não é a Disney que vai ensinar Geografia à nossa garotada. Em vez disso, ensinam as crianças a serem capitalistas passivos e imbecís através da pedagogia do mercado. Além da quantidade excessiva de comerciais, este aprendizado é propagado por eles através de jogos alienantes e voltados para a cultura do inútil, da frivolidade, do narcisismo primitivo e barato e do egoismo como novidade a ser explorada sem limites pela juventude. Quando adultos, poderão evoluir desse egoismo juvenil para o egoismo rabugento e selvagem dos capitalistas convictos e devotos de Adam Smith.

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Como uma luva: Paul Krugman mete a lenha no Brasil

O título aí acima é na verdade uma hipérbole (exagero) combinada a uma pequena inverdade: P. Krugman não escreveu sobre o Brasil. Mas seu texto se encaixa como uma luva no caso brasileiro – excetuando-se a recessão. Leiam vocês mesmos a tradução que fiz. O artigo original em inglês está aqui.

O Regime dos Rentistas

Paul Krugman

June 6, 2011, 1:19 pm

Tradução de W. Carneiro Jr.

Bob Kuttner [1] escreveu uma coluna muito boa (arquivo PDF) no site The American Prospect sobre “políticas de débito”. Deixe-me discorrer um pouco a respeito.

Se você observar as reivindicações de políticas econômicas que vem da direita e no contexto de nossa atual recessão, elas parecem remarcavelmente insensíveis ao fato de que estamos mesmo numa recessão. No começo, alguns direitistas conservadores defendiam mais o uso de políticas monetárias do que as políticas de cunho fiscal, a fim de estimular a economia – e tínhamos gente como Greg Mankiw [2] e Ken Rogoff [3] postulando inflação por um perído com taxas acima do normal. Porém, suas vozes foram abafadas e, hoje em dia, a direita exige não só austeridade fiscal (embora sem qualquer aumento de impostos), mas também dinheiro vivo.

O que explica essa oposição a toda e qualquer tentativa de aliviar o desastre eonômico? Eu posso imaginar inúmeras causas, mas Kuttner apresenta uma boa explicação: tudo que nós assistimos faz sentido se você vê a direita como representante dos capitalistas-rentistas, dos financistas que exploram [a economia] desde sempre – [na forma de] títulos fiduciários, empréstimos, agiotagem –, em oposição às pessoas que hoje tentam ganhar a vida através de um negócio produtivo [do trabalho assalariado ou prática empresarial real como uma indústria ou um comércio]. Deflação é o fim para os trabalhadores e [pequenos] empresários, mas é o paraíso para os credores.

Eu não quero sugerir que tudo [que a direita reivindica] é cinismo. Minha experiência mostra que há relativamente poucas pessoas que, conscientemente, mantém uma secreta quantidade de obras intelectuais [de economia] que defendem o ouro como o único meio transacional nos negócios, porque isso está no melhor de seus interesses, ao mesmo tempo em que relêem Keynes na calada da noite para descobrirem o que está de fato acontecendo. Mas em vez disso, as pessoas geralmente se adaptam para crer naquilo que melhor se encaixa aos seus interesses. E talvez nem seja isso: eu suspeito que existe um número considerável de pequenos empresários que sinceramente acreditaram nas previsões [alarmistas] de hiperinflação para 2010 feitas por Glenn Beck [4], todos eles bem alheios à [política de] intimidação do Banco Central dos EUA [ao preconizar juros baixos na economia] e que destroçou o que restou de seus negócios.

Ainda assim, pensar sobre o que está acontecendo sob a lei dos capitalistas-rentistas – que estão obtendo êxito na realização de seus interesses às custas da eoconomia real – ajuda a entender a situação [da economia].

N. do T.:
[1] Jornalista, escritor e economista norte-americano de tendência liberal. É co-fundador e co-editor do site The American Prospect, colunista do Boston Globe, tendo sido colaborador por 20 anos da revista de direita liberal Business Week.
Fonte: http://en.wikipedia.org/wiki/Bob_Kuttner

[2] Greg Mankiw é economista alinhado com o conservadorismo, especialista em macroeconomia e ex-presidente do Conselho de Especialistas Econômicos da Casa Branca de 2003 a 2005 durante o primeiro governo de Bush filho.
Fonte: http://en.wikipedia.org/wiki/Greg_Mankiw

[3] Ken Rogoff é professor de Políticas Públicas e Economia de Harvard, já tendo sido economista do FMI e membro do Conselho de Governadores da Reserva Federal no início de sua carreira.
Fonte: http://en.wikipedia.org/wiki/Ken_Rogoff

[4] Glenn Beck é comentarista político de rádio e apresentador de televisão radical de extrema-direita, com estilo histriônico e fanfarrão, especializado em desinformar e propagar factóides, especialmente sobre o presidente Obama e sobre os árabes e muçulmanos. Alcoólatra e viciado em drogas dos 16 aos 31 anos, tornou-se grande pregador moralista da direita dos EUA, como conta o jornalista Alexander Cockburn neste artigo. Foi recentemente demitido da conservadora e ultra-direitista Fox News TV por causa da crescente perda de audiência entre o público norte-americano hiper-conservador.
Fonte: http://en.wikipedia.org/wiki/Glenn_beck

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Em Vitória, selvageria e brutalidade da PM contra estudantes

Finalmente, a juventude capixaba saiu da letargia que sempre a caracterizou e partiu pra militância dos protestos de rua. Primeiro foi na 5ª-feira (02/06/2011), um protesto que parou a capital do Estado, no qual os estudantes denunciavam as passagens urbanas mais caras do Brasil. O ato foi selvagemente reprimido pela tropa de choque da PM que chegou a invadir o campus da UFES, jogando bombas de gás lacrimogênio e de efeito moral até no reitor Reinaldo Centoducatte.

Com a repercursão do sadismo e violência dos policiais (exibida pelas TVs do PiG capixaba), os estudantes voltaram às ruas no dia seguinte, 6ª-feira (03/06) para novo protesto. Dessa vez fecharam a praça de pedágio da 3ª ponte, mas sem as cenas de violência registradas no dia anterior – possivelmente, um recuo do governador do PSB, Renato Casagrande, que pode ter ordenado aos comandantes dos brucutus que se contivessem e não repetissem a orgia sádica da véspera.

Cenas de garotos de 16, 17 anos e até idosos sendo espancados por PMs deixou a população assustada. Amantes do caos de ruas em dias de protestos, os policiais do batalhão de choque da PM, usaram e abusaram de seus poderes e não quiseram nem saber de exercitar o discernimento. Apanhados de surpresa, transeuntes ficaram no fogo cruzado e foram agredidos indistintamente, incluindo mulheres grávidas e trabalhadores que estavam totalmente alheios ao protesto.

A invasão do território da UFES se deu no campus de Goiabeiras em Vitória. O fato repetiu a intensa e deliberada violência  que esse tipo de aparelho policial praticava na ditadura. A instituição policial para controle de multidões registra grande crescimento e modernização de equipamentos desde os anos 80. Essa época coincide com a consolidação das idéias neoliberais, do capitalismo forçado pelo modelito do FMI e os consequentes protestos anti-globalização que têm justificado o inchaço da máquina de repressão e o gasto excessivo com pessoal e parafernália da violência que agora é usada contra os estudantes.

O mais surpreendente foi ver a juventude se organizar (via Orkut? Facebook? Twitter?) sem grande alarde e iniciar o protesto logo na 5ª-feira de manhã. Depoimentos de testemunhas oculares dão conta de algumas circunstâncias nas quais se pode suspeitar de orquestração. Quem estaria puxando as cordinhas? Sabemos que a atual geração estudantil é extremamente despolitizada, apática e frígida, principalmente quando se trata de reivindicar direitos com viéis social.

Por exemplo: uma professora de Educação Física, que não quis se identificar, contou que estava indo de ônibus para o trabalho na Praia do Canto, em Vitória, no início da tarde de 5ª-feira, quando entraram cinco jovens. Todos já foram pulando a roleta e o segundo jovem, de bermuda e sem camisa, puxou um lenço que levava no pescoço, cobrindo o rosto e encarando os passageiros de forma ostensivamente intimidadora. Ao contrário de atos semelhantes que aconteciam nos anos 60 e 70, nenhum deles fez discurso para explicar à população do que se tratava e tentar angariar simpatia e apoio político.

Um protesto contra o aumento abusivo das passagens urbanas na região metropolitana da Grande Vitória é sempre legítimo e bem vindo pois temos aqui uma das passagens mais caras do Brasil. Porém, com uma bandeira tão justa e necessária, a quem beneficia a radicalização do movimento e sua consequente degeneração em baderna e vandalismo? Todos que estão por trás de movimentos políticos sabem que a infiltração de provocadores só interessa à polícia e aos que se opõem às reivindicações. Com suas sabotagens, o que esses agitadores conseguem é fazer o movimento fracassar.

Por outro lado, no dia 18 de maio passado, PMs do mesmo batalhão de choque, protagonizaram uma primeira orgia de violência contra pessoas indefesas – a maioria mulheres, crianças e idosos – que moravam irregularmente numa área da prefeitura de Aracruz (município situado a 70 km ao norte de Vitória). Nesse episódio aconteceu algo estranho como a hospedagem paga pelo prefeito da cidade, Ademar Devens (PMDB), em hotel pertencente ao Sesc, para o pernoite dos 400 policiais que vieram de todo o ES, na véspera, para o confronto da desocupação.

Não teve licitação para a contratação do hotel “a peso de ouro”, conforme denunciou o repórter Nerter Samora do site Século Diário em 21/05. Aparentemente, houve premeditação do prefeito e colaboração da PM para garantir, de forma violenta, o cumprimento de um mandado de despejo/reintegração de posse de um juiz da comarca, além da flagrante omissão do Ministério Público.

A situação parecia até a da Líbia: primeiramente escolheram a solução violenta, sem antes mesmo se tentar o diálogo e a negociação com a outra parte a fim de convencê-los a deixar o local sem confrontos. E os PMs tratoram os moradores com toda sua eficiência de SS nazistas. E haja serotonina e endorfina na cabeça dos sádicos fardados, com salários pagos em parte pelos próprios contribuintes que eles reprimiram.

Na operação da 5ª-feira em Vitória constatou-se uma violação grave pelos policiais. O campus é área sob jurisdição da União e possui imunidades jurídicas contra esse tipo de ação, especialmente quando a força agressora é de um ente federativo estadual, no caso a PMES. Assim, o ataque ilegal da polícia no campus foi denunciado pelo professor do Departamento de Matemática, Leonardo Meireles Câmara. Ele narrou os fatos numa postagem publicada no blog do repórter Luiz Carlos Azenha, Vi o Mundo.

Achei gozado isso, pois, antigamente, quando lá estive como estudante de Comunicação no final dos anos 70, alunos e professores mais engajados eram sempre dos Centros de Estudos Gerais e de Ciências Jurídicas e Econômicas. Agora, a julgar pela única voz da UFES que denunciou, os engajados são do Centro de Ciências Exatas (Matemática e Física) que, naquela época, eram tão desmobilizados quanto os do Centro Tecnológico (Engenharias Civil, Mecânica e Elétrica).

Claro que o PiG capixaba, como de costume, noticiou os fatos a partir da ótica das consequências, o que causa sempre desinformação e frustra o leitor de realizar seu desejo por explicações válidas. Com algumas exceções como Século Diário, a imprensa capixaba não se deteve em descobrir as causas, analisá-las e expor os diferentes ângulos da política de aumento de passagens que nosso Estado está submetido desde que o economista e político desideologizado (leia-se neoliberal), Paulo Hartung, esteve governando o ES nos últimos 8 anos. A ênfase no noticiário era sempre a aporrinhação e transtornos que o movimento causou na população e, óbvio, muita histeria e destaque para a ação dos vândalos e provocadores infiltrados.

Não é surpresa o PiG adotar essa postura de blackout das informações que nos ajudariam a entender a relação de causa e efeito do problema. O pior é a UFES e sua rádio exclusiva, a Universitária FM (frequência 104.7 MHz), se omitir ou falar apenas superficialmente da tragédia da 5ª-feira. Lamentavelmente, a rádio Universitéria sequer tem uma equipe de repórteres para apurar matérias de interesse do corpo docente/discente e da comunidade no entorno, como nessa circunstância. Parece que a Fundação Ceciliano Abel de Almeida – entidade mantenedora da rádio e vinculada à UFES – abraçou mesmo o neoliberalismo e extinguiu o departamento de jornalismo que lá havia nos anos 70 e 80.

A reitoria, por sua vez, divulgou apenas uma nota oficial pró-forma – muito xôcha, por sinal – e sem nenhuma menção às consequências jurídicas passíveis de serem tomadas pelo reitor, em defesa de sua jurisdição e do reparo dos prejuízos causados pelos policiais ao patrimônio da Universidade. Como no momento a entidade se encontra em campanha pela eleição do próximo reitor, resta saber se algum dos 6 candidatos vai se pronunciar e se posicionar sobre a invasão da PM, inclusive em termos futuros, se ganhar o pleito.

Assim, no protesto da 6ª-feira, o governador Casagrande (PSB) tratou de segurar os violentos policiais do batalhão de choque, a fim de aparecer bonito na foto, já que houve o precedente de outro ataque dos PMs contra a população de Aracruz no mês passado. Tanto esse quanto o ataque da 5ª-feira (02/06) contra os estudantes, foram perpetrados enquanto Casagrande se encontrava fora do Estado. Todos os dois episódios foram gerenciados pelo vice-governador, o petista Givaldo Vieira.

Nosso governador poderia muito bem provar para os capixabas que integra um partido político sensível às causas sociais – ao contrário dos partidos neoliberais direitistas (desculpe o pleonasmo) como os tucanos e demoniocratas – e mostrar tal sensibilidade na prática cotidiana de seu governo. Poderia também se inteirar dos métodos e processos de aprendizagem e treinamento da PM na formação dos homens responsáveis pela segurança da população. Aí ele descobriria que nossos meganhas estão recebendo treinamento de sadismo e violência como diversão raivosa contra reivindicações sociais, dada por instrutores e consultores israelenses.

Esses ashkenazi falsos judeus (de novo, desculpe o pleonasmo) e autênticos nazistas, vem aqui vender suas idéias e modus operandi hediondos a partir da experiência genocida que acumularam na Palestina. Fizeram isso na Colômbia ao vender consultoria para os narco chefões do cartel de Medelín nos anos 80, quando esteve no auge a conexão Irã-contras, ensinando-os a fazer carros-bomba e outras atrocidades. Aqui no ES já estamos vendo os resultados dessa parceria entre Israel e o aparelho policial brasileiro, frutos que os cariocas já colhem há muito tempo pois a polícia do Rio também é alvo desse aprendizado inútil de violação sofisticada dos Direitos Humanos e repressão desproporcional – tal como acontece na faixa de Gaza e na Cisjordania.

Diz a Constituição: “É livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato. É livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença.” (CF art. 5º, IV e IX.)

A conferir a reação de nossas autoridades no próximo protesto popular.

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Em defesa de Denise Severo: Pelo fechamento de nossas fronteiras aos espanhóis

Por Wilson Carneiro Jr.

Já está na hora da presidenta Dilma implantar a reciprocidade como uma política de Estado em relação a certos países. Assim, quem sabe, poderíamos reduzir ou até erradicar o tratamento criminoso dispensados aos brasileiros de bem no exterior pelas polícias de imigração dos países para onde nossos compatriotas mais viajam. Aconteceu no aeroporto de Madrid em 28 de janeiro passado o último episódio revoltante que vitimou uma brasileira honrada, professora universitária e humanista, titular na Universidade de Brasília.

Estados Unidos, Reino Unido, Espanha, Portugal, Itália e França são os países que mais cometem esses abusos. Pasmem vocês que as economias dessas nações estão numa situação tão sofrível que deveria ser o contrário: as autoridades aduaneiras e de imigração do Brasil é que deveriam tratar com rejeição cidadãos originários de lá, e não o contrário. Afinal, nosso País bate récorde na geração de empregos e sua economia cresce a níveis invejáveis pelos do 1º mundo e em plena crise pra eles.

A professora Denise Severo, coordenadora pedagógica do Projeto Vidas Paralelas e pesquisadora associada do Núcleo de Estudos em Saúde Pública da UnB, postou sua denúncia sobre o tratamento infamante que recebeu dos policiais-bandidos da Espanha no blog Conexão Brasília Maranhão. O post, tratando de sua expulsão da Espanha em 30 de janeiro após prisão ilegal ao desembarcar em Barajas para uma viagem de passeio, foi republicado no blog Vi o Mundo do jornalista Luiz Carlos Azenha no dia seguinte e continuou a se propagar pela blogosfera brasileira, causando muita indignação e revolta.

Franquismo

As idéias de Hitler, Francisco Franco, mais o besteirol da eugenia e arianismo ainda tem muitos adeptos no país do rei Juan Carlos, velho amigo do generalíssimo e membro da Opus Dei. Isso sem falar no ainda atuante grupo franco-facista chamado de Falange de José António.

Falo de cadeira pois já morei alguns meses em Portugal e na Espanha no início da década de 80 e vi que o facismo e o franquismo ainda estão muito vivos por aquelas bandas. Isso é bastante evidente no tratamento que eles dispensam aos estrangeiros, em especial aos árabes, africanos, latino-americanos ou pessoas de qualquer nacionalidade que tenha a pele parda ou escura como a minha.

Face a esses ataques poderíamos, por exemplo, contar o número de brasileiros rejeitados por lá e aplicar a mesma matemática da rejeição aeroportuária aqui. Tem professor espanhol vindo pro Brasil? Então é só rejeitá-lo com a mesma intensidade e frequência. Afinal a Espanha precisa mais do Brasil do que nós deles. Lembrem-se, é a Telefonica e o Santander que mandam seus jovens desempregados pra cá a fim de tomar emprego de nossos jovens universitários e técnicos nessas empresas já que, por lá, o mercado de trabalho está num meltdown formidável – 20,33% da população ativa não tem trabalho.

Masoquismo

E aí, quem mais precisa de quem? E com sua economia em frangalhos eles querem rejeitar o dinheiro de nossos turistas? Ótimo!, com isso ajudaremos a afundar mais rapidamente ainda suas economias. Deixemos de ser masoquistas e vamos procurar países onde nos acolham sem desacatos ou atentados contra nossa honra e dignidade. Ou eles nos recebem com respeito e consideração ou podem enfiar essa “hospitalidade” onde mais lhes der prazer.

De nossa parte, implantaremos a mesma norma para seus conterrâneos, ao mesmo tempo que a União deve encorajar os brasileiros a escolher como destino turístico outros países onde nos garantam o mínimo de tratamento respeitoso e advertir os brasileiros que insistirem em visitar esses países sobre o tratamento que lá terão.

E depois tem mais: a Polícia Federal não pode prevaricar e deixar de cumprir dever de ofício como fiscalizar tintin por tintin a documentação e os propósitos dessa corja ibérica ou norte-americana que aterrissa em nossos aeroportos. Por outro lado, nossa presidenta Dilma poderia muito bem chamar o ministro do Trabalho, Carlos Luppi do PDT, para formular uma política oficial de controle e rejeição de candidatos a vistos de trabalho oriundos desses países. Com base nos pretextos de designação de mão-de-obra dessas operadoras de telefonia da Europa e demais multinacionais, a Espanha e outros países despejam seus desempregados aqui e transferem pro Brasil o problema social deles de desemprego.

A professora Denise Severo não é a primeira a ser ultrajada dessa forma e nem será a última se o Brasil insistir na inércia e no laissez-faire. Ficar só assistindo masoquistamente esse eterno espancar de nossos irmãos em terras estrangeiras só encoraja esses governos a continuarem nos tratando do mesmo jeito. Se não traduzirmos isso em ação política de auto-defesa na forma de uma resposta recíproca e à altura, o sacrifício da professora Denise e de muitas outras brasileiras e brasileiros terá sido em vão.

Frieza do Itamaraty

Aliás, há cerca de três anos, a professora mestranda de Física da USP, Patrícia Camargo Magalhães, na época com 23 anos, sofreu o mesmo tipo de tratamento na Espanha. Convidada a participar de um congresso científico em Portugal, ela foi chamada de “puta” pelos policiais ao desembarcar no aeroporto de Barajas para tomar um voo que a levaria a Lisboa.

Sofreu tortura psicológica, foi submetida a prisão ilegal e privada de alimentação adequada e banho. Finalmente, após mais de 72 horas no limbo policial, foi expulsa de forma humilhante, sob maus tratos, com direito a algemas e exibição em público desse tratamento de horror. Veja aqui a notícia fajuta e assética que o PiG deu a respeito e veja aqui o post que um colega de Patrícia publicou em seu blog.

O Itamaraty, mesmo com a brilhante atuação do chanceler Celso Amorim na administração de Lula, sempre se pautou pela omissão ou por medidas inócuas e insignificantes quando se trata de defender brasileiros comuns atacados pelas polícias estrangeiras. É como se nossos diplomatas fossem todos tucanos, com nojo da massa mal cheirosa, e preocupados em não interromper a fúria policial que se abate sobre nossos conterrâneos e mostrar apenas subserviência aos impérios. O Itamaraty simplesmente não existe para amparar os brasileiros em apuros kafkakianos mundo afora, mesmo que estes NÃO SEJAM traficantes ou garotas de programa. Estão mais interessados em levar o chororô (legítimo) de nossos empresários exportadores sobre tarifas e barreiras aduaneiras aos países que as praticam.

Agora que temos uma mulher na presidência, Dilma está diante de excelente oportunidade pra mostrar a esses paisecos que nós também temos nossa “dama de ferro” que sabe defender seu povo e, sobretudo, nossas mulheres quando sofrem ataques tão sórdidos quanto injustificados no estrangeiro. O Brasil não pode se dar ao luxo de deixar esse incidente sem uma resposta no mesmo nível às autoridades espanholas. Vamos chutar o esqueleto de Francisco Franco e fechar nossas fronteiras aos viajantes espanhóis. Só assim seremos respeitados nas aduanas como cidadãos.

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Dilma dá uma surra em Serra, no debate de propostas.

Reproduzido do blog  Os Amigos do Presidente Lula

Grande ashkenazi da tribo de Noam Comsky, Uri Avnery, Naomi Klein e tantas outras, Helena Sthephanowitz, voluntária incansável do excelente blog Amigos do Presidente Lula, nos brinda com esse artigo esclarecedor sobre a largada da campanha dos dois principais candidatos à presidência do Brasil e os debates que querem fazer para os eleitores e que os Grilos Falantes da Democracia replica aqui.

A largada da campanha de Dilma e a de Serra

Quem foge de debates? É José Serra.

A campanha toda é um debate. E Serra foge e se esconde, enquanto Dilma se expõe.

O vídeo abaixo mostra como Dilma trata com seriedade os programas sociais estruturantes dentro de um projeto de nação, enquanto Serra faz promessas debochadas em época eleitoral, de coisas que ele poderia ter feito, mas não fez, quando tinha nas mãos a caneta de governador, de prefeito e de ministro de FHC.

Serra só quer “debates” no PIG (na imprensa golpista) e entidades de latifundiários, banqueiros ou empresários paulistas.

Serra é igual time ruim que, para tentar ganhar, só quer jogar em casa, só vende ingressos para sua torcida, e faz conchavos para escolher o juiz a dedo, e ganhar no tapetão.

Mesmo assim, Serra perdeu feio para Dilma no Roda Viva, quando comparamos as entrevistas dos dois.  Serra jogou em casa (na TV Cultura do governo demo-tucano de São Paulo), com sua torcida, e escolhendo os “juízes” (entrevistadores) a dedo. A surra que Serra levou foi tão acachapante, que a cabeça de Horódoto Barbeiro rolou do programa.

Serra precisa criar coragem de sair da barra da saia do PIG e falar ao povo a que veio.

A campanha eleitoral toda é um debate nacional de propostas para o Brasil. E Serra foge do debate, sem a proteção do PIG.

Foge de apresentar suas propostas aos brasileiros, as mesmas do tempo de FHC. Foge de falar sério.

Dilma e Lula tem projeto de nação. Eles planejam o Brasil para ser a 5ª economia do mundo, e um país rico, com um povo rico e de alto nível educacional, com todo mundo de classe média para cima. Uma potência mundial influente exportando para o mundo humanismo e prosperidade para fazer um planeta melhor e saudável de se viver.

Serra e FHC não tiveram e não tem projeto de nação. Tem projeto de poder. Eles querem o poder pelo poder, para se perpetuarem lá.

Por isso o discurso de Serra não sai de picuinhas. São bordões insossos de marqueteiros como “o Brasil pode mais”, factóides como suposto dossiê que ninguem viu (a não ser que se chame o livro “Nos porões da privataria” de dossiê). Factóides sobre “propostas radicais”. Demagogia debochada sobre o Bolsa-família. E tudo com o suporte do PIG para alimentar esses factóides.

íàê

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Porque queremos Dilma Roussef presidente do Brasil

Dilma e Lula, Lula e Dilma: presente e futuro

Dilma representa não só a continuidade mas também o aprofundamento do projeto político do Partido dos Trabalhadores capitaneado pelo presidente Lula. Representa o rompimento definitivo com o consenso de Washington – eufemismo que dá nome ao projeto político da extrema direita capitalista que resume-se na concentração da renda de nosso País, no entreguismo da riqueza nacional ao mega capital e no desmonte definitivo do aparelho de Estado em favor dos empresários anarco-capitalistas.

Dilma representa o enterro da era das privatizações fraudulentas (desculpem o pleonasmo) e da satanização do Estado. Dilma é guerreira corajosa. Mulher sofrida com a pele e a alma marcada a ferro e fogo nos porões de tortura da ditadura militar. Dilma é intelectual de visão e política de raciocínio rápido. Sua sensibilidade feminina de mãe e cidadã solidária saberá conduzir nosso País e nosso povo – especialmente os mais necessitados – pelos caminhos do desenvolvimento, da Justiça e da esperança.

Dilma é gestora competente e comprovada – haja vista sua experiência na execução do PAC e como ministra das Minas e Energia. Mulher portadora de um enorme acervo de informações sobre o Brasil e o mundo, é grande conhecedora da História e de estatísticas – saber imprescindível para quem aspira ocupar tão importante cargo não só para os brasileiros mas também para muitos cidadãos do mundo que esperam e desejam uma intervenção maior do Brasil no cenário internacional, a exemplo da recente participação de Lula em assuntos de Honduras e do Irã.

É por essas e outras razões que votaremos em Dilma Roussef para presidente do Brasil. Tudo isso sem pedir nada em troca a não ser o prosseguimento e a ampliação de tudo de bom que Lula iniciou e não pôde terminar e a criação de novas políticas públicas que reforçam esse projeto. Assim, trabalharemos de maneira voluntária nessa missão dando o máximo de nós para eleger essa grande figura humana que é Dilma.

Agora, para nós dos Grilos Falantes da Democracia não basta só ganhar a eleição com ela. Vamos ganhar a eleição na legalidade e também no ninho tucano paulista para enterrarmos de vez o partido da extrema direita do anarco-capitalismo, seus políticos inúteis e rapináceos e seu projeto político satânico de privatizações e trololós de superavit fiscal. E que não se engane a procuradora eleitoral, promotora Sandra Cureau: a senhora vai precisar de muito milico, muito fuzil e muito TNT para descarrilar nossa candidata. Sua atuação anti-profissional nessa militância judicialista anti-Dilma vai ser apenas tiro n’água.

E é com essa declaração que nós passamos a integrar a campanha do deputado Brizola Neto (PDT-RJ) pela legalidade nas eleições de 2010: ELEIÇÃO SE GANHA NO VOTO! ouviu senhora procuradora?!! E pare de usar o Ministério Público (que não é patrimônio que lhe pertença) para dar vazão à sua cumplicidade com a kabala tucana de José Pedágio, o perdedor, e tentar anabolizar sua campanha fracassada. Quando quiser fiscalizar o cumprimento da legilsação eleitoral, tenha hombridade, nobreza de caráter e a devida isenção que o seu cargo exige, pois como simpatizante do PSDB (ou seria como filiada?) a senhora ainda não conseguiu mostrar nenhum profissionalismo.

Para os que ousarem imaginar que nosso blog é adesista de Dilma de última hora, saibam todos que o trabalho de formiguinha que faço todos os dias junto às pessoas mais simples começou desde o segundo semestre do ano passado. E desde janeiro, tenho intensificado mais ainda esse esforço de convencimento e formação de opinião e posição política em favor de nossa candidata. Já observei que tenho de concentrar minhas forças é na classe média, especialmente a classe média-média, branca e resolvida que ainda nutre um ódio gratuito por Lula, graças à lavagem cerebral do PiG, o notório partido da imprensa golpista liderado pela Rei de Bobo e a Falha de SP.

Portanto, a todos que acreditam nesse projeto, ao trabalho! A hora é agora de convencermos mais e mais eleitores e eleitoras sobre a validade da proposta política e dos projetos representados pela nossa candidata. E por que não sonharmos com a vitória já no primeiro turno? Viva Dilma presidente do Brasil!

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A eficiência do terrorismo que usa fardas e helicópteros

Em janeira passado, o site Russia Today tentou veicular em vários dos principais aeroportos internacionais americanos uma série de out-doors provocativos. O objetivo da campanha institucional era o de aumentar sua audiência entre o público norte-americano. Toda a campanha foi censurada pela empresa dona dos pontos de veiculação – censura essa possivelmente ordenada pela CIA. A mesma campanha foi levada a público nos aeroportos britânicos e acabou ganhando no início de março o prêmio “Propaganda do Mês” pela prestigiosa organização do Reino Unido, ANNAs (Premiação para a Propaganda dos Jornais Nacionais – em inglês, Awards for National Newspaper Advertising).

Nessa 2a-feira (05/04/2010), o site de denúncias WikiLeaks.org divulgou um vídeo (leia aqui a respeito e baixe aqui o vídeo, ambos em inglês) mostrando um bárbaro crime de guerra ocorrido no Iraque em 12/07/2007, no qual cerca de 15 civis foram brutalmente assassinados, incluindo dois garotos de menos de 10 anos e dois jornalistas da agência de notícias inglêsa Reuters. WikiLeaks.org é um site sueco especializado em vazar documentos confidenciais, além de arquivos secretos e ultra-secretos de países como os Estados Unidos, Grã-Bretanha, Israel, Rússia, China e qualquer outro país que tenha algum segredo hediondo pra ser guardado do público mundial. (E foi sem surpresa que lemos em 15 de março último que, em 2008, no dia 18 de março, a CIA havia concebido um plano para tirar do ar e destruir WikiLeaks.org. O plano aparentemente fracassou como esse e outros vídeos e documentos vazados provam.)

No vídeo que a WikiLeaks divulgou sobre o crime de guerra dos soldados norte-americanos no Iraque, a abertura é feita com uma citação do escritor e intelectual inglês, George Orwell: “A linguagem política é concebida para fazer a mentira soar como verdade e o assassinato como algo respeitável, e dar a aparência de solidez ao vento” ["Political language is designed to make lies sound truthful and murder respectable, and to give the appearance of solidity to pure wind"].

A barbaridade ianque só foi possível de ser exposta graças à coragem dos colaboradores anônimos e a dos vazadores secretos que alimentam WikiLeaks.org com documentos e provas dos crimes hediondos praticados pelo império americano. Inclusive, muitas dessas denúncias provêm de pessoas de dentro da própria CIA e do Pentágono, de Israel e do Reino Unido, entre outros vazadores e denunciadores, chamados em inglês de whistleblowers, que numa tradução livre seria algo como insiders que resolvem soar o alarme e divulgar um alerta público. Mas muitos desses whistleblowers, compreensivelmente, preferem fazê-lo de forma secreta para evitar as represálias óbvias.

Diante disso e em homenagem aos jornalistas da Reuters, aos dois meninos e às demais vítimas desse ataque covarde e a todas as vítimas anônimas dos soldados americanos, os Grilos Falantes da Democracia divulga a campanha de out-doors do site Rt.com censurados pelos americanos, mas que expressam com fieldade quem os ianques realmente são (em sua maioria): povos bárbaros e viciados em atrocidades.

Terrorismo é praticado somente por terroristas?

Quem é mais perigoso, um hooligan ou um policial?

Quem representa a maior ameaça nuclear, Ahmadinejad ou Obama?

Qual é a arma mais poderosa?

Mudanças climáticas: fato científico ou ficção científica?

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Os Grilos Falantes e os comentários

Uma informação importante cabe ser divulgada em nosso blog com relação à possibilidade dos visitantes publicarem comentários. Desde que inaugurei os Grilos Falantes no finzinho de novembro passado, notei que não é possível submeter comentários. Eu mesmo fiz um teste e não consegui. Portanto, aos navegantes que se apressam em concluir que este blog – que preza tanto a democracia e a liberdade de expressão – é um local onde o público não pode se manifestar, tenho a declarar que isso não é proposital e que estou trabalhando para resolver o problema diretamente com o fantástico pessoal do suporte do WordPress.com.

Tenho plena consciência de que as idéias que defendo e divulgo mexem com gente barra pesada. Daí a necessidade de proteção para os Grilos Falantes e seus comentaristas honestos e bem-intencionados. Assim, tenho ferramentas e mecanismos de segurança configurados no meu browser e na minha máquina que impedem programas maliciosos de executarem rotinas que poderiam redundar em invasão ou inoculação de software perigoso e sabotador. Na medida do possível concilio essas propriedades e exigências de segurança com as necessidades da plataforma WordPress. Tão logo eu consiga resolver essa questão do feedback dos visitantes, todos terão o direito de postar comentários (publicados somente APÓS minha liberação) dentro das regras que impomos.

E lembrando que essas regras são:

  1. Nada de injúrias e calúnias;
  2. Nada de palavrões usados com sentido pornográfico e ofensivo;
  3. Nada de texto todo escrito em MAIÚSCULAS (serão toleradas algumas palavras assim, mas não todo o comentário; mas se o conteúdo for genial, me permito o direito de reformatar a redação para convertê-la em minúsculas);
  4. E, sobretudo, nada de comentários fora de contextos e ataques a outros comentaristas com argumentos do tipo ad hominem (tão comum no blog do Azenha – Vi o Mundo – com indivíduos de codinomes do tipo Dvorak, John Bastos, etc.) cujo conteúdo serve somente pra sabotar o debate que aqui pretendo manter e estimular por muito tempo. Claro que, entre os comentaristas, vou permitir discussões saudáveis que sejam focadas no assunto, mas reitero que isso terá de se pautar pela lógica racionalista das idéias e dos princípios democráticos e humanistas.

Todo comentarista que infringir essas regras terá seu comentário e número de IP gravado e arquivado para uso posterior – como denúncia ao Ministério Público ou à Polícia Federal – caso se faça necessário. E dependendo da (baixa) qualidade dos feedbacks que recebermos, criaremos – como prometido – somente para esses uma página intitulada “Comentários de Esgôto”.

Até que a publicação das opiniões dos navegantes seja normalizada, como todo blog requer, peço a todos um pouquinho de paciência. Até lá, solicito que enviem seus comentários via e-mail para grilosfalantes@yahoo.com colocando como assunto da mensagem o título do post que motivou sua manifestação.

Grato a todas e a todos pela compreensão desta inconveniência temporária.

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10 sugestões para Obama presentear o Haiti

Ainda um tanto frustrado pelo resultado das eleições presidenciais chilenas que deu a vitória ao empresário pinochetista, o bilionário Sebastián Piñera nesse domingo (17/01/2010), reproduzo abaixo a tradução que fiz das 10 sugestões humanitárias apresentadas pelo advogado norte-americano e professor da Universidade de Nova Orleans, EUA, William P. Quigley, dia 14 último para que seu país faça em favor do Haiti em face da terrível tragédia do terremoto de 12 de janeiro. Militante em favor do direito dos pobres, o professor Bill Quigley já possui um longo histórico de lutas judiciais em pró da população carente de New Orleans atingida em 23 de agosto de 2005 pelo furacão Katrina que arrasou aquela cidade.

Antes porém, chamo a atenção de todos para a denúncia que o presidente Hugo Chavez, da Venezuela, fez sobre o real propósito da ajuda “humanitária” que os Estados Unidos estão “dando” ao Haiti: o sórdido oportunismo de ocupar militarmente a combalida nação caribenha e enfiar goela abaixo da população mais neo-liberalismo anárquico e enfraquecimento do estado haitiano. Leiam as sugestões do professor Quigley:

Dez medidas que os EUA podem e devem fazer para o Haiti

1- Permitir que todos os haitianos nos EUA trabalhem [sem serem perseguidos pela Imigração]. A fonte de renda número um para os pobres do Haiti vem do dinheiro remetido por familiares e trabalhadores que vivem empregados nos EUA. Os haitianos continuarão a ajudar a si mesmos se lhe forem dadas as oportunidades. Os cidadãos do Haiti [que vivem nos EUA] continuarão ajudando seus compatriotas quando a comunidade internacional encerrar sua participação no esforço e se focar no próximo problema [em outro lugar do mundo].

2- Não permitir que os militares norte-americanos no Haiti apontem suas armas contra os haitianos. Cidadãos famintos não são o inimigo. Decisões já foram tomadas e irão militarizar a ajuda humanitária – mas essas não devem permitir que as vítimas [do terremoto] sejam enquadradas como criminosos. Não demonizem as pessoas.

3- Dêem aos haitianos a ajuda pública na forma de subsídios a fundo perdido e não na forma de empréstimos. O Haiti não precisa de mais endividamento. Certifiquem-se que o auxílio concedido ajudará o Haiti a reconstruir seu setor público, assim o país poderá prover aos seus próprios cidadãos serviços básicos do estado.

4- Priorizem o auxílio humanitário para ajudar as mulheres, as crianças e os idosos. Esses são sempre removidos para o fim da fila [nas operações de distribuições]. Se eles forem para o fim, iniciem a distribuição da ajuda pelo fim da fila.

5- Presidente Barack Obama pode conceder status de proteção legal temporária para os haitianos com uma simples canetada. Faça-o, [pois] os EUA já o fizeram [em outras ocasiões] para cidadãos de El Salvador, Honduras, Nicarágua, Sudão e Somália. Presidente Obama deveria fazer isso no feriado de comemoração de Martin Luther King [15/01/2010].

6- Respeitar os Direitos Humanos desde o primeiro dia [da operação de ajuda humanitária]. As Nações Unidas já estabeleceram os Princípios Guia para as Populações Domésticas Internamente Deslocadas por Guerras e Conflitos [Guiding Principles for Internally Displaced People]. Faça desses princípios leitura obrigatória para os militares e funcionários civis do governo [americano] bem como todas as ONGs e seus membros. As organizações humanitárias e os grupos de ajuda são extremamente poderosos no Haiti – e eles também terão que respeitar a dignidade e os Direitos Humanos de todos os haitianos.

7- Apresente desculpas formais pelas recentes declarações ofensivas do pastor [de extrema direita] Pat Robertson e pelas do radialista republicano e radical [também de extrema direita] Rush Limbaugh.

8- Liberte das prisões americanas todos os haitianos que não são acusados de nenhum crime. 30 mil deles aguardam deportação. Ninguém deverá ser deportado para o Haiti nos próximos anos. Liberte-os no feriado de Martin Luther King.

9- Exija que todas as ONGs que estejam angariando fundos nos EUA [em nome dos haitianos atingidos pelo terremoto] sejam o mais transparente possível sobre o dinheiro arrecadado e para onde ele irá, e insista que essas ONGs sejam legalmente responsabilizadas na prestação de contas perante o povo do Haiti.

10- Tratem todos os haitianos como nós mesmos desejaríamos que fôssemos tratados.

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Passados quatro dias que essas sugestões foram publicadas pelo professor Bill Quigley, o governo Barack Obama continua indiferente a essas questões humanitárias tão pertinentes quanto urgentes e aplica apenas o modelito da dominação oportunista denunciado pelo presidente Hugo Chavez. Lamentável!

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